História

Os primeiros registos de um corpo de bombeiros na Nazaré remontam o início do Século XX. Em 1904, a Câmara Municipal da Pederneira terá deliberado a criação de um corpo de bombeiros municipais. Condicionados em termos materiais e humanos, passando por períodos conturbados, a corporação acaba por se dissolver progressivamente, não sendo possível avaliar a data exata de desativação.

Em 1926, a necessidade de fazer reviver ou dar início a uma nova corporação instiga um grupo de amigos a iniciar uma mobilização no sentido de dotar a vila de uma corporação de bombeiros não municipal.

Em junho desse ano, é criada uma comissão para organizar a associação. Sendo que não possuíam ainda os meios financeiros para adquirir novos materiais, a comissão solicita por isso à Câmara todo o material de incêndios que havia sido adquirido para os Bombeiros Municipais.

Ao longo de toda a história, a população nazarena assume-se como um pilar estruturante no surgimento e desenvolvimento desta corporação. Foram levadas a cabo algumas  iniciativas cívicas cujas receitas revertiam para a Comissão Organizadora dos Bombeiros Voluntários da Nazaré. 

Cerca de um ano depois, em abril de 1927, novos bombeiros estreavam já os seus fardamentos, tendo nessa mesma altura realizado exercícios sob o comando do Tenente da Guarda Fiscal, Evaristo António Borges, o primeiro instrutor da corporação. A esta altura era já um verdadeiro corpo de Bombeiros Voluntários pelo que se impunha dar início ao seu processo de legalização.

Em 29 de setembro de 1927, tem lugar uma reunião de que lavrou a seguinte ata:

“Aos 29 dias do mês de Setembro do ano de mil novecentos e vinte sete, pelas vinte e uma horas, reuniram-se na sala do Grupo Dramático-Musical Perdigão da Nazaré, os abaixo assinados  a fim de deliberarem sobre uma proposta de estatutos para uma Associação de Bombeiros Voluntários a organizar nesta vila da Nazaré apresentada pela Comissão Organizadora composta pelos senhores José Maria Gomes, José Damião e António Ribeiro de Almeida. Achando-se presente o número suficiente de indivíduos para serem aprovados os estatutos, foi pelo senhor José  Damião, em nome da Comissão Organizadora, convidado o senhor José Pedro para presidir, que , por sua vez, convidou para secretários os senhores José Baptista Belo de Carvalho e Amável Silvério Mafra Fidalgo. Em seguida e aberta a sessão, foram lidos os estatutos pelo senhor Amável Fidalgo, e, tendo-se suscitado dúvidas sobre a redacção de dois artigos, foram aprovados após ligeira discussão.

Ao encerrar-se a sessão, foi pelo senhor Presidente dito, que todos os presentes que com ele assinam esta acta, ficam sendo para todos os efeitos, sócios fundadores da Associação de Bombeiros Voluntários da Nazaré. Foi também aprovado um voto de louvor à Comissão Organizadora, e,  em especial ao seu componente José Maria Gomes, incansável trabalhador pró Bombeiros Voluntários.

Encerrada a sessão, lavrou-se a presente acta, que por todos os presentes vai ser assinada.

Nazaré, vinte e nove de setembro de mil novecentos e vinte sete,

O presidente de Mesa

José Pedro

Os secretários

José Baptista Belo de Carvalho

Amável Silvério Mafra Fidalgo”

Os estatutos então aprovados compunham-se de 44 artigos, distribuídos por 8 capítulos.

A 7 de novembro de 1927 são então aprovados pelo Governador Civil, estando a partir desse momento a associação habilitada a funcionar e a desenvolver as suas atividades.

O primeiro Comandante desta associação foi José Maria Gomes, sendo nomeado para tal cargo a 18 de junho de 1928 e renunciando o cargo em 1937.

Perante tal situação é nomeado, por unanimidade, para 1º Comandante o Tenente José da Costa Estoninho, cargo que ocupou por dois anos.

Sucedeu-lhe Amável Silvério Mafra Fidalgo, o 1º Comandante que mais anos serviu a Corporação nessa qualidade, cargo que ocupou até à data da sua morte, em 1971. Foi, à semelhança de José Maria Gomes, um dos membros fundadores.

Manuel Águeda Tavares desempenhava as funções de Ajudante do Comando na altura da morte de Amável Fidalgo, tendo ocupado o cargo até à nomeação de Joaquim Jordão Morais.

Em 27 de setembro de 1982, dia da Associação, iniciou-se a construção do novo Quartel que teve o seu término em maio de 1986.

 

Fonte: Trabalho elaborado pelo Sr. Romeu Carvalho